De Vivara em meu peito,
Um brilho eterno ficou,
Joia rara, paixão
Que um dia me encontrou.
Outros vieram, imitando o ouro
Ou sem valor,
Mas a alma já sabia
O que era o verdadeiro amor.
Uma década se passou mas
O "boa noite" que eu ouvi,
Um tremor me causou,
O corpo reage
Ao que a mente não calou.
Ele não fala mais comigo,
Foi um amor avassalador,
Ele não bloqueia, mas me ignora,
E meu livro em seu perfil
Me assombra e me devora.
Como um fardo invisível,
Essa memória me conduz,
Maquino planos de encontrá-lo,
Busco atalhos,
Tudo inválido!
Mas a energia se esvai,
O corpo já paz não tem,
E o que é "legal"
Não acende o mesmo além.
Depois que ele se foi
Tudo é só bijuteria,
Daquela que descasca
Vinda da China.
Todos notaram, sim,
Que a chama já não arde em mim,
Não é possível fingir
Nem repetir um amor assim.
Eu só queria um loop de risadas,
Sem destino
E de novo aquela nossa noite na praia
Admirando a lua e as estrelas,
Contemplando a natureza
Sobre o branco da areia!
Pois a dor do que é profundo
Me roubou o quase tudo.
E o resultado
De fingir que bijuterias
Eram a joia que eu queria
Fez eu perder a saúde
Que eu tinha
Com dores, cólicas,
E ansiedade desmedida,
O corpo grita!
E a alma em burnout,
Sem conseguir se curar,
No sonho recebe a visita
Do único que ela aprendeu amar.
E esse amor
É como uma possessão
Encarnada na minha mente
E dentro do meu coração.
Como eu poderia esquecer
As noites maravilhosas
Sentados na areia da praia
Olhando a lua e as estrelas?
E nada mais se iguala.
Não havia problemas,
Era a paz alcançada.
Tudo que eu sonhei,
A plenitude do amor,
Mas agora estou sem nada.
Passou-se mais de uma década
Mas esse amor não passa,
E quem chega percebe
E me diz na cara:
Você não me ama,
Você não quer nada.
E por mais que eu me esforce
Meu inconsciente não se cala:
Ele grita todo dia
"Eu não quero a bijuteria
Eu quero a joia da Vivara".
E diante da realidade amarga
O mundo agora desaba
Cancelando os sonhos
Que foram todos em vão.
Esse amor
É uma possessão
Encarnada na minha mente
E dentro do meu coração.